A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) apresentou, nesta quarta-feira (11), ao Projeto Cooperar e representantes do Banco Mundial os resultados do Sistema de Gestão Comercial Rural, iniciativa voltada à modernização da medição de consumo e tarifação de água em comunidades rurais da Paraíba. A reunião destacou os avanços do projeto-piloto, que integra inovação tecnológica, gestão pública eficiente e participação comunitária para melhorar o acesso à água tratada e fortalecer a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento em áreas rurais.
A iniciativa faz parte de um esforço conjunto alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com foco em gestão eficiente, transparência e acessibilidade para as comunidades atendidas.
De acordo com o gerente de Novos Negócios e Inovação da Cagepa, Altamar Cardoso, a solução foi estruturada a partir de princípios modernos de gestão adotados por concessionárias que buscam maior eficiência e integração tecnológica. “Nosso objetivo foi desenvolver uma solução simples, de baixo custo e altamente replicável para as comunidades rurais. A partir da parceria com o Cooperar, conseguimos integrar conhecimento técnico, tecnologia acessível e participação social para estruturar um sistema que melhora a gestão do consumo de água e fortalece a sustentabilidade dos sistemas comunitários”, destacou.
Parceria entre instituições – A iniciativa foi estruturada a partir da atuação conjunta de diferentes atores. O Projeto Cooperar PB atuou como braço social e de infraestrutura do projeto, responsável pela articulação com as comunidades rurais, diagnóstico social e fornecimento de dados do Programa PB Rural, além da entrega de equipamentos como computadores, impressoras e sistemas de tratamento de água (ADCs). O projeto também coordenou a mobilização e seleção das comunidades participantes, incluindo as 11 localidades que integraram a fase piloto.
Já a Cagepa, por meio da Gerência de Novos Negócios e Inovação, contribuiu com o braço técnico e regulatório da iniciativa. Entre as ações desenvolvidas estão a aplicação das regras de faturamento e padrões de potabilidade, a adequação às diretrizes da Agência Nacional de Águas e o Saneamento Básico (ANA), especialmente a Norma de Referência nº 13/2024, e o desenvolvimento tecnológico da solução, construída com ferramentas digitais e recursos de inteligência artificial. A equipe também realizou capacitações técnicas junto às comunidades, promovendo conhecimento sobre cobrança, gestão do consumo e uso racional da água.
Sistema de gestão comercial rural – No centro da iniciativa está o Sistema de Gestão Comercial Rural, desenvolvido como um MVP (Produto Mínimo Viável) que integra tecnologia social e operação assistida. A ferramenta foi projetada para ser de baixo custo e fácil replicação, servindo como ponte entre a infraestrutura instalada pelo Cooperar e o conhecimento técnico da Cagepa.
Antes da implementação da solução, muitas comunidades enfrentavam desafios como acesso limitado à água tratada, ausência de padronização nos processos de gestão e dificuldades para manter a sustentabilidade financeira dos sistemas de abastecimento. Com a implantação do sistema, foi possível estabelecer uma estrutura tarifária mais coerente, criar mecanismos para desestimular o consumo excessivo e garantir maior organização na coleta e no armazenamento de dados sobre o uso da água nas comunidades.
Impacto nas comunidades – A planilha de gestão comercial desenvolvida pela parceria entre Cagepa e Projeto Cooperar já atende mais de 700 residências e imóveis comunitários, contribuindo para melhorar a gestão do abastecimento de água voltado ao consumo humano.
Além de ampliar o acesso à água de qualidade, o sistema fortalece a governança comunitária e cria condições para novos investimentos e parcerias institucionais voltadas à ampliação dos serviços de saneamento rural. “É uma experiência que demonstra como tecnologia acessível, gestão eficiente e cooperação institucional podem gerar soluções concretas para o desenvolvimento sustentável e para a melhoria dos serviços essenciais nas áreas rurais do estado”, concluiu Altamar.