Imagine se existisse um sensor eletrônico instalado na rede de água da sua rua que identificasse e avisasse quando a pressão do abastecimento começasse a cair. Imagine também se as informações desse sensor fossem repassadas a uma central de monitoramento que, automaticamente, ajustaria a pressão na rede ou acionaria uma equipe de manutenção para ir ao local verificar se existe algum problema. Imagine ainda se todo esse sistema fosse alimentado por energia proveniente de fontes renováveis.
Isso tudo já existe. É a partir de iniciativas como essas que a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) vem transformando a Indústria da Água, usando a inovação como pilar para oferecer um serviço eficiente e sustentável à população.
Inspirada pelos princípios da Indústria 4.0 – que propõe a integração de tecnologias digitais inteligentes nos processos industriais -, a Companhia tem implementado, nos últimos anos, uma política de inovação que tem como principais objetivos: acelerar a universalização do saneamento no Estado, cumprindo a exigência do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020); fortalecer o controle social; oferecer melhores serviços à sociedade; e otimizar os impactos socioambientais de suas operações. Neste sentido, a empresa tem investido no desenvolvimento de soluções baseadas, por exemplo, em inteligência artificial, análise de dados, geoprocessamento e dispositivos de IoT (internet das coisas).
No Dia da Indústria do Brasil – celebrado neste domingo (25) – o presidente da Cagepa, Marcus Vinícius Neves, destaca que, mais do que uma opção, a transformação digital dos processos de captação, adução, tratamento e distribuição de água – assim como os de coleta, tratamento e disposição final dos esgotos – é um imperativo dos tempos atuais.
“Chegamos a um ponto da jornada onde é impossível atingir as metas de excelência sem romper com os caminhos óbvios: inovar é preciso. A tradução desse tempo nos alerta a estarmos sensíveis para a urgência de soluções sustentáveis e com eficiência operacional. A política de inovação da Cagepa, portanto, busca acelerar o processo de universalização dos serviços, garantindo resposta aos grandes desafios do setor de saneamento e contribuindo para a garantia de acesso à população ao direito básico e universal do abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos”, pontuou.
Responsável pela Gerência de Novos Negócios e Inovação da Cagepa, Altamar Cardoso, explica que a adoção dos princípios e tecnologias da Indústria 4.0 tem sido fundamental no suporte à gestão de recursos por parte da empresa e, consequentemente, para a melhoria do atendimento aos clientes. Segundo ele, a utilização de sistemas inteligentes permite à gestão tomar decisões de forma mais rápida, precisa e descentralizada, pois “eles sistematizam informações de toda a Companhia e as disponibilizam para diversas áreas como, por exemplo, o atendimento ao cliente e o controle operacional”.
“Na prática, isso faz com que os gestores conheçam melhor os problemas e possam tomar decisões mais acertadas em situações que envolvem desde a ligação ou corte no abastecimento de um cliente até a manobra de uma adutora”, detalhou.
Automação e eficiência – Segundo o gerente de Controle Operacional e Automação, Giordan Lima, além de aplicar tecnologia e operar sistemas, a Cagepa tem se destacado também no desenvolvimento de soluções inovadoras e de baixo custo, como sensores virtuais de macromedição e dispositivos de IoT para monitoramento de pressão e nível dos reservatórios de água. Um trabalho que tem sido reconhecido em eventos científicos, como o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, e cujos resultados também podem ser percebidos pela população.
“Toda a base de dados da operação e manutenção dos sistemas da Cagepa já está vinculada a processos digitalizados e sistematizados. Da mesma forma, os dados de infraestrutura já estão centralizados e disponíveis internamente para consulta e subsídio às decisões. Em suma: a Cagepa já é digital. E a cada passo dado, melhoramos a prestação do nosso serviço com a antecipação aos problemas operacionais”, garantiu o gerente.
Pioneirismo – Outra tecnologia fundamental para a otimização de processos e melhoria dos serviços da Cagepa nos últimos anos é o geoprocessamento. Uma ferramenta corporativa que, conforme explica o subgerente de geoprocessamento da Companhia, Diego Varela, permite mapear ativos, identificar “gargalos” e, a partir daí, desenvolver soluções. Em 2024, inclusive, uma aplicação desenvolvida pela Cagepa foi destaque na segunda edição do relatório “Cases de Inovação no Setor de Saneamento”, elaborado pela Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC).
Segundo Diego Varela, o “Gestão de Falta D’Água” permite à Companhia minimizar perdas e prevenir possíveis interrupções no abastecimento, identificando áreas com baixa pressão através de dados enviados por sensores de medição espalhados por redes em todo o estado. Uma iniciativa pioneira da Cagepa e que tem servido de referência para outras empresas do setor.
“A ideia de desenvolver a aplicação foi toda nossa. A gente queria melhorar o serviço, de modo a identificar previamente onde estava a dor do cliente que buscava o nosso atendimento. A energia elétrica, se der problema, é fácil visualizar os fios, postes e tomar providência. Mas, no nosso caso, como fazer para diagnosticar um problema em uma rede de esgoto ou de água que está enterrada ali há décadas? Com a combinação de sensores e métodos de geoprocessamento nós, hoje, temos a informação espacializada e podemos agir antes que as reclamações cheguem”, expôs.

Sustentabilidade – Como indústria moderna, a Cagepa também tem a responsabilidade ambiental como um de seus pilares. Neste ponto, destacam-se as iniciativas voltadas para a sustentabilidade e eficiência energética, como a migração de 35 unidades consumidoras para o Mercado Livre de Energia, das quais 32 – por opção da Companhia – utilizam exclusivamente energia proveniente de fontes renováveis.
De acordo com o gerente de Gestão de Energia, Victor Santos, com a transição, aproximadamente 60% do total de energia consumida pela Companhia é contemplado pelo novo modelo. Segundo ele, um segundo movimento de migração, abrangendo mais 60 unidades, já está em fase de licitação. A projeção é de que, até o final do ano, 80% do consumo da Companhia seja garantido por fontes de energia limpa.
O rol de iniciativas voltadas para a sustentabilidade energética ainda incluem o retrofit de acionamento de motores – que consiste na substituição dos acionadores antigos por equipamentos computadorizados inversores de frequência) – e o investimento em usinas fotovoltaicas. Até o momento, já foram instaladas cinco unidades, estrategicamente localizadas nos municípios de João Pessoa, Caaporã, Itabaiana, Mari e Pirpirituba. Conforme Victor Santos, trata-se de um projeto piloto que marca o primeiro passo da Companhia em direção à autoprodução de energia.
“Eu acredito que a Cagepa é um grande agente transformador da sociedade. A nossa meta, a longo prazo, é que cada unidade da empresa tenha capacidade de gerar a capacidade de energia que ela consome. Isso ainda é um sonho, mas já estamos trabalhando para que as novas obras, por exemplo, tenham pelo menos uma unidade geradora que garanta pelo menos metade do consumo. O nosso objetivo é que esse processo de levar água natural de um rio ou açude até as casas que estão a quilômetros de distância seja cada vez mais autossustentável e com um custo cada vez menor para o cliente”, concluiu.
